segunda-feira, 20 de março de 2017

Análise reflexiva: doença do refluxo gastroesofágico

Na aula do dia 20/03 foi elucidada a farmacologia do trato gastrointestinal, mais especificamente os fármacos utilizados nas doenças ácido-pépticas. Nesta foi abordada a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), condição comum no recém-nascido, muitas vezes decorrente da imaturidade de alguns componentes da barreira antirrefluxo, que  tende  a  melhorar  com  a  idade. Nesse caso, é necessária uma maior atenção dos profissionais da saúde visto que o refluxo denota risco de aspiração que pode culminar em pneumonia aspirativa. 

No cotidiano das práticas assistencialistas com a equipe multiprofissional de residentes foi possível observar que os fármacos mais utilizados para tratar a DRGE no neonato são a ranitidina e a domperidona. A terapia nutricional adequada, o posicionamento correto do bebê e a elevação da cabeceira do leito também constituem medidas que influenciam diretamente no esvaziamento gástrico adequado e consequente melhoria do quadro.

Na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais, setor na qual me encontro atualmente inserida, estou acompanhando um caso de uma paciente que possui doença do refluxo gastroesofágico. M.C.S. nasceu no dia 08 de fevereiro de 2016, com 37 semanas de idade gestacional, apresentando diagnóstico clínico de encefalocele e má formação congênita (lábio leporino e atresia nasal/ocular). De acordo o diagnóstico médico, a situação era incompatível com a vida e essa deveria ser mantida sob cuidados paliativos.

No que concerne à alimentação, desde o nascimento a paciente estava com a sonda orogástrica aberta, apresentando grande quantidade de resíduo gástrico (RG) escuro e com grumos. Nos dias seguintes, com a diminuição do RG, ela começou a se alimentar. Como a mãe não se encontrava mais no hospital para realizar a ordenha do leite materno, optou-se pela utilização da fórmula de partida polimérica, indicada para crianças de 0 a 6 meses de idade.

Todavia, a paciente manifestou grave intolerância à dieta enteral, por meio de episódios constantes de regurgitação após a administração da dieta, que persistiu mesmo após a diminuição do volume ofertado. Após observação e efetuação de exames foi diagnosticada a DRGE. Posteriormente, em uma conversa com o pediatra foi articulado o uso da fórmula infantil anti-refluxo, espessada com amido natural após atingir o estômago, com probióticos que atuam de modo eficaz na redução da regurgitação. 

Desse modo, a partir da mudança da fórmula infantil e diminuição do volume da dieta, a paciente passou a demonstrar melhor aceitação e os episódios de refluxo cessaram, apontando a essencialidade da conduta interdisciplinar no provimento de uma melhor assistência e qualidade de vida ao paciente hospitalizado.

Um comentário:

  1. Seu relato de experiencia enriquece o portfólio e ressalta que a abordagem farmacoterapêutica deve ser inserida apenas quando outras condutas não medicamentosas demonstrarem ser insuficientes para o tratamento ou controle de uma doença.

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