A aula de interação medicamentosa abrangeu aspectos referentes ao conceito, classificação, tipos e identificação das interações entre fármacos que apresentam relevância clínica, além da demonstração de ferramentas úteis para investigação dessas. Sabe-se que o fenômeno das interações medicamentosas constitui na atualidade um dos temas mais importantes da farmacologia para a prática clínica dos profissionais da saúde. O uso concomitante de vários medicamentos, enquanto estratégia terapêutica, e o crescente número destes agentes no mercado são alguns dos fatores que contribuem para ampliar os efeitos benéficos da terapia, mas que também possibilitam a interferência mútua de ações farmacológicas podendo resultar em alterações dos efeitos desejados.
A interação medicamentosa é definida como resposta farmacológica especial, em que os efeitos de um ou mais medicamentos são influenciados pela administração concomitante ou anterior de outro fármaco, ou também mediante a administração com alimentos. A alteração provocada pela presença de outro medicamento pode desencadear uma perda na eficácia ou mesmo potencialização dos efeitos farmacodinâmicos, resultando em respostas inesperadas, geralmente denominadas de efeitos colaterais.
As respostas decorrentes da interação podem acarretar potencialização do efeito terapêutico, redução da eficácia, aparecimento de reações adversas com distintos graus de gravidade ou ainda não causar nenhuma modificação no efeito desejado do medicamento. Dessa maneira, as interações medicamentosas podem ser classificadas quanto:
Interação farmacêutica: do tipo físico-químico, que acontece quando dois medicamentos são preparados e administrados em um mesmo veículo, e o resultado desta associação é de um fármaco incapaz de produzir um efeito terapêutico. Geralmente a associação de fármaco com propriedades físico-químicas incompatíveis pode gerar precipitados, mudança na coloração do medicamento, turvação da solução ou até inibir o efeito terapêutico do medicamento;
Interação farmacocinética: nesse tipo de interação ocorre uma mudança na farmacocinética do medicamento; assim, o tempo de absorção, distribuição, metabolização e eliminação pode ser influenciado e trazer prejuízos ao paciente;
Interação farmacodinâmica: causa uma alteração das respostas bioquímicas ou fisiológicas do medicamento. Acontece principalmente nos sítios farmacológicos de ação e também por meio de alterações bioquímicas, resultando em efeitos semelhantes ou opostos. O sinergismo pode desencadear efeitos tóxicos ao organismo do paciente. O antagonismo pode gerar respostas benéficas, como no caso do naloxone que pode desencadear a ineficácia quando se faz a associação imprópria de propanolol e salbutamol.
A intensidade dos efeitos pode ser qualificada conforme a gravidade dos danos causados nos pacientes. Ela é classificada como: leve (cujos sintomas são brandos e muitas vezes imperceptíveis, não ocasionando sérios prejuízos ao paciente); moderada (reação cuja ação recíproca dos fármacos pode produzir efeitos danosos ao paciente, contudo, estes efeitos podem ser revertidos); e de intensidade grave (onde a associação de determinados medicamentos pode acarretar danos letais ao paciente, muitas vezes irreversíveis).
Uma atenção especial deve ser dada aos antimicrobianos, pois fármacos como tetraciclinas, cloranfenicol e neomicina são exemplos de agentes potencialmente causadores de sérias interações medicamentosas. Isso acontece por meio da alteração da flora intestinal que, consequentemente, influencia na síntese de vitamina K. O resultado dessa interferência é um aumento dos afeitos dos agentes anticoagulantes, podendo ocasionar casos de hemorragia.
Os antibióticos se ligam com maior afinidade às proteínas transportadoras plasmáticas e reduzem a ação do sistema citocromo P450, o que resulta em aumento da concentração plasmática e risco de reações incomuns ao paciente. O cuidado deve ser ainda maior com antibióticos com baixo índice terapêutico cuja dose terapêutica é próxima da tóxica e as chances de que o paciente sofra com os efeitos tóxicos são mais prováveis.
Os aminoglicosídeos são antibióticos com baixo índice terapêutico pois em razão da sua baixa solubilidade em lipídios, o transporte para o meio intracelular é dificultado, ocorrendo aumento das concentrações séricas por cerca de três horas após a administração em pacientes com a função renal normal. Nefrotoxicidade, ototoxicidade e bloqueio neuromuscular são exemplos dos efeitos tóxicos ocasionados pelo uso de aminoglicosídeos.
A seleção do antibiótico de escolha deve considerar os riscos de desenvolvimento de resistência antimicrobiana, bem como a função hepática do paciente, o local da infecção, a idade, as interações medicamentosas e os riscos toxicológicos. Os medicamentos potencialmente perigosos podem determinar interações medicamentosas graves colocando em risco a vida da criança. Nessa perspectiva, as prescrições pediátricas precisam ser reduzidas ao mínimo possível e as doses devem ser estimadas segundo critérios baseados em evidência clínica com vistas a diminuir os riscos de ocorrência de interações maléficas entre medicamentos e garantir a segurança do paciente.
ANÁLISE REFLEXIVA:
Os conhecimentos construídos a partir da aula de interação medicamentosa foram de extrema relevância para a minha prática clínica, o qual me incitou a estudar mais sobre a temática, principalmente sobre as interações droga-nutrientes. Enquanto profissional da saúde, compreendo que é crucial conhecer as interações entre os fármacos que podem causar efeitos deletérios nos pacientes, visto que os neonatos representam um grupo mais vulnerável dada a imaturidade orgânica global preexistente. Gostei muito de conhecer as ferramentas Medscape e Drugs e continuo utilizando-as para identificar as possíveis interações entre os medicamentos.
Fonte:
FERRARI, C.K.B. Aspectos críticos da prescrição de medicamentos em pediatria. Evidência, Joaçaba v.13 n.1, p. 5-18, jan./jun. 2013. Disponível em: <https://editora.unoesc.edu.br/index.php/evidencia/article/view/2755>. Acesso em: 01/04/2017.

Olá Jéssica, durante suas atividades diárias e, também, ao usar os recursos do Medscape e Drugs já detectou alguma interação droga-nutriente que pudesse compartilhá-la aqui?
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