terça-feira, 14 de março de 2017

Aula de Reações adversas a medicamentos

As reações adversas a medicamentos (RAM) são caracterizadas como qualquer resposta prejudicial ou indesejável, não-intencional a um medicamento, que se manifesta após a administração de doses normalmente utilizadas em seres humanos para profilaxia, diagnóstico ou tratamento de doenças ou para modificação de função fisiológica.

No campo da neonatologia, é unânime a recomendação do leite materno como padrão ouro para a alimentação dos recém-nascidos. Todavia, apesar da ampliação do conhecimento acerca de drogas na lactação, ainda não se conhecem os efeitos colaterais de muitos fármacos utilizados pela nutriz. Assim, faz-se necessário que os profissionais de saúde estejam atentos às possíveis ocorrências de RAMs e seus fatores de riscos. Alguns exemplos foram citados por Chaves e Lamounier (2004) e serão explanados a seguir.

O primeiro deles diz respeito ao uso do metronidazol, classificado pela Associação Americana de Pediatria como “droga com efeitos desconhecidos, mas que requer preocupação”, com recomendação inclusive de suspensão do aleitamento materno por 12 a 24 horas. Tal preocupação se deve ao risco teórico de carcinogênese e elevada biodisponibilidade. Porém, até o momento, não foram descritos efeitos adversos para os bebês amamentados, não havendo, portanto, dados que suportem a suspensão do aleitamento materno.

Com relação ao uso de telmisartam, droga anti-hipertensiva antagonista dos receptores de angiotensina II – durante a gravidez, foram relatados cinco casos de óbito fetal e um caso de óbito neonatal (quarto dia de vida) por insuficiência renal aguda. Portanto, os autores sugerem evitar essa droga durante a lactação até que novos estudos sejam realizados. Alguns estudos consensualizaram que a bromocriptina e ergotamina são contraindicadas na lactação devido ao risco de redução do volume de leite, assim como as quinolonas, decorrente do risco de intoxicações e comprometimento articular.

A metoclopramida possui efeito prolactinogênico dose-dependente, sendo preconizada na dose de 10 a 15 mg/dia, via oral, três vezes ao dia, durante 1 a 2 semanas. É considerada uma droga segura e efetiva na iniciação e manutenção da lactação. Entretanto, esse medicamento pode causar efeitos colaterais extrapiramidais, como tremor, bradicinesia e outras reações distônicas, principalmente na mãe.

A bromocriptina foi muito utilizada para a supressão da lactação. No entanto, após relatos de episódios de hipertensão arterial, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral hemorrágico em puérperas, essa droga foi proscrita para tal fim.

ANÁLISE REFLEXIVA:
A partir da aula de reações adversas a medicamentos, do módulo de farmacologia aplicada à saúde materno-infantil, foi possível compreender a dinâmica das RAMs, suas consequências, classificações, causalidade e gravidade. Como profissional da saúde, entendi a relevância de toda a equipe manter-se alerta aos sinais de efeitos adversos que podem ser ocasionados pela administração de fármacos no contexto da prática clínica hospitalar. Assim, a equipe multiprofissional deve participar da busca ativa e notificar suspeitas de RAMs, bem como outras experiências pertinentes, com o intuito de prover uma assistência pautada na integralidade e segurança do paciente.

Fonte:
CHAVES, R.G.; LAMOUNIER, J.A. Uso de medicamentos durante a lactação. Jornal de Pediatria, v.80, n.5, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/jped/v80n5s0/v80n5s0a11.pdf>. Acesso em 01/04/2017.

Um comentário:

  1. Excelente abordagem.
    Já chegou a acompanhar alguma situação sobre suspeita de RAM? Se sim, pode descrevê-la?
    Seria possível suspeitar de RAM em lactante que não faz uso de medicamentos?

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