Na aula de farmacoterapia da febre, dor e inflamação foram abordados aspectos concernentes à fisiopatologia, ações farmacológicas dos antiinflamatórios não-esteroidais (AINES), que englobam efeitos antiinflamatórios, antipiréticos e analgésicos, bem como os tratamentos farmacológicos e condutas não farmacológicas dessas condições. Configurou-se em uma aula bastante proveitosa, no que concerne à agregação de conhecimentos essenciais para as condutas clínicas diárias, explicativa e que gerou diálogos acerca de situações vivenciadas cotidianamente na residência. As abordagens me estimularam a estudar mais sobre o temática supracitada e irei expor abaixo os aspectos que considerei mais relevantes.
A inflamação caracteriza-se como processo útil e benéfico para o organismo, compensando quebra de homeostasia e repondo normalidade tissular. Esse processo de defesa e reparação só deve ser combatido quando as manifestações clínicas agudas (tumor, calor, rubor e dor) são intensas e desconfortáveis, e se o processo adquire maior repercussão sistêmica e caráter subagudo ou crônico, com manifestações sintomáticas incapacitantes e danos tissulares cumulativos, como deformidades e perdas funcionais.
Do ponto de vista farmacológico, deve haver cautela no tratamento da inflamação. Processos inflamatórios localizados e autolimitados merecem apenas medidas não medicamentosas sintomáticas ou analgésicos não opioides. Quando há comprometimento sistêmico, o tratamento pode incluir anti-inflamatórios não esteroides e esteroides e outras classes farmacológicas com especificidade contra elementos do processo inflamatório.
Os AINEs, ao inibirem a síntese de prostaglandinas e tromboxano mediante a inativação das enzimas ciclooxigenases constitutiva (COX-1) e induzível (COX-2), são úteis no manejo de manifestações sintomáticas musculoesqueléticas.
Em gestantes os AINEs não são recomendados. Se forem realmente necessários, ácido acetilsalicílico em baixas doses é provavelmente o mais seguro, pois não se associa a efeitos teratogênicos em humanos. Todavia deve ser suspenso antes do tempo previsto para o parto visando evitar complicações como trabalho de parto prolongado, aumento de hemorragia pós-parto e fechamento intrauterino prematuro do ducto arterioso. Em crianças, seu uso também é restrito, pelo receio do aparecimento de síndrome de Reye. Uma exceção é o uso de ibuprofeno intravenoso (sol. inj. 5mg/ml) em recém-nascidos prematuros e/ou de baixo peso para fechamento da patência do ducto arterial.
O fechamento prematuro do ducto arterial, evento raro em decorrência do uso de AINEs antes da 29a semana, é aumentado em 50–70% na 34a semana, chegando a 100% a partir da 36a semana de gravidez. Após 30 semanas, se o uso de AINEs se fizer necessário, deve-se monitorar circulação fetal e líquido amniótico por ultrassonografia, uma ou até duas vezes por semana. A maioria dos dados sobre riscos do uso de AINEs antes da 30a semana de gravidez foi obtida de estudos observacionais e deve ser interpretada com cautela.
Nessa perspectiva, os antiinflamatórios não-esteroidais só devem ser indicados para doenças inflamatórias com repercussão sistêmica caracterizada por manifestações sintomáticas incapacitantes e danos tissulares cumulativos, como deformidades e perdas funcionais. Os AINEs orais e injetáveis não constituem primeira escolha para controle de dor leve e moderada e dor intensa, respectivamente, não sendo indicados para gestantes e crianças (ácido acetilsalicílico), pacientes com história de ulceração péptica, disfunção hepática ou renal, doença cardiovascular e hipersensibilidade a ácido acetilsalicílico e AINEs. Sendo imperativo o uso, as menores doses eficazes, a curta duração de tratamento, o monitoramento de efeitos adversos e a atenção às interações medicamentosas constituem cuidados imprescindíveis.
Fonte:
BRASIL. Ministério da Saúde. Uso racional de medicamentos: temas selecionados. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/uso_racional_medicamentos_temas_selecionados.pdf>. Acesso em: 02/04/2017.

Jéssica, encontrou algo sobre o uso de paracetamol e dipirona nesta população? Pode inserir alguma informação sobre estes fármacos, já que fazem parte das drogas mais consumidas no país.
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