A hipertensão arterial sistêmica (HAS) constitui-se em um problema de saúde pública pelo seu elevado custo médico e social. Sua prevalência varia conforme a faixa etária, sexo, raça, obesidade e presença de patologias associadas, como diabetes e doença renal. Diferente dos países desenvolvidos, a HAS na gestação representa a primeira causa de morte materna direta no Brasil (37%), podendo classificada em:
- Hipertensão crônica: observada antes da gravidez, ou antes de 20 semanas de gestação, ou diagnosticada pela primeira vez durante a gravidez e não se resolve até 12 semanas após o parto. É considerada hipertensão quando a pressão arterial sistólica (PAS) é ≥140 mmHg e/ou a pressão arterial diastólica (PAD) ≥90 mmHg, medidas em duas ocasiões com 4 horas de intervalo.
- Pré-eclâmpsia (PE)/Eclâmpsia: hipertensão que ocorre após 20 semanas de gestação (ou antes, em casos de doença trofoblástica gestacional ou hidrópsia fetal) acompanhada de proteinúria, com desaparecimento até 12 semanas pós-parto. Na ausência de proteinúria, a suspeita se fortalece quando o aumento da pressão aparece acompanhado por cefaleia, distúrbios visuais, dor abdominal, plaquetopenia e aumento de enzimas hepáticas. A PE é uma síndrome caracterizada por comprometimento clínico generalizado heterogêneo e alterações laboratoriais. Os achados clínicos podem se manifestar tanto como uma síndrome materna (hipertensão, proteinúria e/ou sintomas variados) quanto como uma síndrome fetal, ou ainda ambos. A eclâmpsia caracteriza-se pela presença de convulsões tônico-clônicas generalizadas ou coma em mulher com qualquer quadro hipertensivo, não causadas por epilepsia ou qualquer outra doença convulsiva. Pode ocorrer na gravidez, no parto e no puerpério imediato.
- Pré-eclâmpsia superposta à hipertensão crônica: é o surgimento de pré-eclâmpsia em mulheres com hipertensão crônica ou doença renal. Nessas gestantes, essa condição agrava-se e a proteinúria surge ou piora após a vigésima semana de gravidez. Pode surgir trombocitopenia (plaquetas <100.000/mm3) e ocorrer aumento nas enzimas hepáticas.
- Hipertensão gestacional: trata-se do aumento da pressão arterial que surge após as 20 semanas de idade gestacional e sem proteinúria. Pode representar uma PE que não teve tempo de desenvolver proteinúria, ou uma hipertensão transitória se a pressão arterial retornar ao normal após 12 semanas do parto, ou ainda uma hipertensão crônica se a pressão arterial persistir elevada.
O tratamento medicamentoso irá considerar as especificidades clínicas da paciente e os possíveis efeitos colaterais do medicamento anti-hipertensivo, conforme especificado nas tabelas abaixo.
ANÁLISE REFLEXIVA:
Em todas as classificações das síndromes hipertensivas da gravidez citadas anteriormente é crucial o acompanhamento multiprofissional e contínuo à paciente. Durante os dois meses em que realizei atendimento nutricional na enfermaria de gestação de alto risco da Santa Casa de Misericórdia de Sobral, foi notável que as patologias mais presentes estavam relacionadas ao descontrole dos níveis pressóricos que, se não tratadas de modo adequado, podem trazer sérios prejuízos para a mãe e para o feto. Então, é necessário que a equipe de saúde esteja em constante interação e discussão sobre a terapia mais adequada para cada caso de modo particular.
No que concerne ao suporte nutricional, este vai além da redução do consumo de sal, devendo incluir ações de educação alimentar e nutricional que objetivem a mudança de hábitos e melhoria da qualidade de vida. O plano alimentar deverá levar em consideração as condições clínicas da gestante hipertensiva, devendo basear-se em alimentos naturais, ricos em vitaminas, minerais e fibras, concomitante à diminuição do consumo de gorduras saturas e de produtos industrializados ricos em sódio. Pequenas mudanças progressivas são importantes para a melhor adesão da paciente ao tratamento proposto, com repercussões positivas a curto e longo prazo.
Fontes:
BRASIL. Ministério da Saúde. Gestação de alto risco: manual técnico. 5. ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia para Gravidez na Mulher Portadora de Cardiopatia. Arq Bras Cardiol, v.93, n.6 (supl.1), p.110-178, 2009.



A hipertensão gestacional é uma doença de grande magnitude e o seu tratamento necessita de uma abordagem multiprofissional, com condutas medicamentosas e não-medicamentosas. Suas informações estão concisas e esclarecedoras.
ResponderExcluirDurante sua atuação na enfermaria de gestação de alto risco, houve levantamento sobre hábitos alimentares das gestantes antes da internação? Neste contexto, pode compartilhar seus achados?