sexta-feira, 17 de março de 2017

Manejo da asma na gravidez

A aula de farmacologia da asma na gravidez me incitou a buscar novos conhecimentos sobre o manejo desse distúrbio durante o período gestacional e as possíveis repercussões no recém-nascido. A diretriz da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o Manejo da Asma (2012) foi umas das abordagens mais completas que encontrei sobre assunto. Assim, resumi abaixo os aspectos que considerei mais relevantes sobre a temática supracitada.

 
A asma é a doença pulmonar mais comum na gestação, com prevalência de 8-13%, influenciando e sendo significativamente influenciada pela gravidez. Durante a gestação, aproximadamente um terço das mulheres asmáticas piora, um terço se mantém com a asma inalterada, e um terço melhora. Os sintomas geralmente melhoram durante as últimas quatro semanas da gravidez, e o parto não costuma se associar com piora da asma. 

O desenvolvimento da doença costuma ser semelhante em cada paciente nas sucessivas gestações. Os efeitos deletérios da asma não controlada para o binômio mãe-feto caracteriza-se por pré-eclâmpsia, necessidade de partos cesarianos, prematuridade, baixo peso ao nascer, malformações e aumento da mortalidade perinatal. Por outro lado, o tratamento adequado da asma reduz esses riscos. 

Uma grande proporção de mulheres asmáticas em idade reprodutiva apresenta a doença mal controlada, e apenas metade das que fazem uso de medicação preventiva continuam a fazê-lo durante a gravidez. Desse modo, é essencial que essas pacientes sejam instruídas e tratadas adequadamente antes de engravidar, enfatizando-se a continuação do uso dos medicamentos na gravidez.

O manejo da asma na gestante difere muito pouco daquele recomendado para não grávidas, inclusive na necessidade de avaliações espirométricas regulares, planos de educação e manuseio das exacerbações. A budesonida é o corticoide inalatório de preferência para a gestação por apresentar mais dados referentes a sua segurança e eficácia. A beclometasona também apresenta baixo risco fetal e pode ser utilizada.

Pacientes que possuem descontrole do quadro asmático devem ser avaliadas através de consultas obstétricas mensais e respiratórias regulares, onde preconiza-se o acompanhamento do crescimento fetal e possíveis sinais de pré-eclâmpsia. O quadro abaixo traz os medicamentos utilizados no tratamento da asma e o risco de teratogênese de acordo com a classificação da Food and Drugs Administration.


A amamentação não é contraindicada em nutrizes que estão fazendo uso de budesonida. Não há estudos para avaliar a concentração dos outros medicamentos para a asma no leite materno, entretanto também não existem contraindicações à amamentação de lactantes em uso das outras medicações para tratar a asma.

ANÁLISE REFLEXIVA:
Durante a aula também foi explanado que a alimentação adequada e balanceada apresenta efeitos positivos nos desfechos da asma. Já existem diversos estudos constatando que os nutrientes com função antioxidante como o selênio, carotenoides, flavonoides e as vitaminas C e E protegem os sistemas biológicos contra os efeitos agressores das reações oxidativas do processo inflamatório, apresentando papel positivo nessa condição. Os ácidos graxos poliinsaturados e o ômega 3 também são capazes de modular a resposta inflamatória, diminuindo sua intensidade a nível pulmonar.

A ingestão de vitamina D também contribui de modo benéfico nos mecanismos da doença. Desse modo, a intervenção e assistência nutricional, concomitante à farmacoterapia, é primordial para a gestante com asma, no intuito de promover a melhoria do seu quadro clínico e prevenir riscos para a mãe e o feto. Os conhecimentos obtidos na aula serão de grande valia para minha atuação profissional no eixo materno-infantil.

Um comentário:

  1. Espero que possa contribuir, futuramente, com boa publicações científicas sobre a relevância de fatores nutricionais que podem favorecer o controle das crises asmáticas ou propiciá-los. Que essa abordagem não medicamentosa a tenha sensibilizado para relevância de sua atuação profissional com esse perfil de pacientes e que possa compartilhar com o mundo sua abordagem e seus resultados.

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